Yllith, a pecadora do paraíso

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Yllith, a pecadora do paraíso

Mensagem por Hummingbird em Sex Out 06, 2017 10:08 pm



A Origem



As mensageiras do paraíso são muito provavelmente as criaturas mais enigmáticas desta história. São pouco conhecidas entre os "vivos" e historicamente falando só existem registros de uma de suas aparições reais; a Guerra do Paraíso. A história todo mundo conhece e ela envolve a primeira aparição dos temidos dragões, os primeiros grandes massacres, até mesmo a primeira grande "guerra" promovida pelos filhos da Mãe-Terra aconteceu nesse período. Foram anos tumultuosos para essa doce mãe... mas os seus esforços foram recompensados.

Tudo começou tempos há atrás, quando os primeiros filhos da Mãe-Terra davam seus primeiros passos na história. Os Elfos eram criaturas puras, eram os primeiros de sua linhagem, logo, a expectativa em cima deles era muito grande por parte da família primordial. Perante os soberanos aquele era um cenário que lembrava em muito as primeiras formigas operárias nascendo e trabalhando em prol de sua rainha, no caso, a Mãe-Terra. Os Elfos tinham como objetivo primordial cuidar dela, cuidar das suas criações, cuidas da fauna e da flora, cuidar do planeta. Talvez por conta disso é que mais tarde eles fossem tão intimamente relacionados à natureza; sua conexão para com ela se iniciou desde os primeiros passos.

E em se tratando de primeiros passos, o começo não foi fácil. A mãe-Terra desde o início foi alertada sobre as "regras" então ela não podia interferir diretamente no desenvolvimento da vida em suas dependências. Era tudo muito novo pra ela que há pouco mais de alguns séculos transitou de mera poeira estelar para integrante da família primordial. Mas ainda assim ela não podia deixar de amparar os seus filhos. Na menor das brechas, a mãe sempre dava o ar da sua graça, seja para ajudar no cultivo das plantações e dos alimentos, ou mesmo para dar um empurrãozinho no clima ou nas condições geológicas de um ambiente a ser explorado. Tudo que ela podia ajudar, ela o fazia.

O Pai, receoso quanto à ligação da Mãe para com os primeiros filhos, decidiu tomar uma atitude para que resolvesse de uma vez por todas aquele impasse. Uma raça de criaturas aladas místicas então foi criada com o único objetivo de descerem em Terra no auxílio dos Elfos para o desenvolvimento e aprendizagem. A Mãe-Terra aceitou de muito bom grado o presente, apresentando os tais filhos alados como Gawls para os seus filhos. Os Elfos, num primeiro contato, sentiram-se amedrontados e demoraram a interagir com os novos conterrâneos. No entanto, inerente às suas características, havia algo em sua essência que os incentivava a ter esse tipo de interação. A empatia. Uma característica tão nobre e notável que mesmo entre os membros da família primordial ela foi admirada. Não que entre eles isso fosse necessário uma vez que os "soberanos" nunca precisaram de tais qualidades pois eram únicos, onipotentes, oniscientes e tudo o mais. Agora, em se tratando das pequenas formas de vida, qualquer novidade por menor que seja, era de se chamar atenção.

Atraídos pela maneira com que tais características conduziam aquelas relações, os soberanos observaram com atenção a maneira com que os Elfos se "entrosavam" com os Gawls. Receberam-nos com muita gentileza e se dispuseram a aprender com eles sobre todo aquele conhecimento que lhes era oferecido. Em pouco tempo a relação entre as espécies estava gerando um vínculo poderoso, coisa que por sua vez preocupou um pouco ao Pai. A presença dos Gawls não era algo duradouro, haveria um momento em que eles teriam de partir quando o aprendizado estivesse inteiramente completo, e nesse momento, como os Elfos reagiriam? E mais, como a Mãe reagiria diante da perda que sofreriam seus filhos?

O Pai alertou aos Gawls sobre tal preocupação, mas os seres alados não lhe deram ouvidos. Estavam encantados com a convivência na terra e imploraram para que pudessem ficar. Neste ponto da história, a família primordial já sabia da possível calamidade que se aproximava sob alcunha de Dragões. Eles sabiam que mais hora menos hora os tais Dragões e outras criaturas chegariam à terra e que nesse momento, muitos morreriam. No entanto, segundo as regras, nenhuma interferência direta poderia ser realizada. Os avisos foram dados, mas os filhos se recusaram a ouvir, então restava supervisionar.

Os primeiros dragões chegaram.

O massacre foi terrível. Incontáveis Elfos morreram durante a invasão e o coração da mãe-Terra se esmigalhou mediante aquela tragédia. Tamanhas foram as feridas que a mãe transbordou. Suas lágrimas inundaram regiões e atormentaram a superfície com chuvas pesadas durante dias. Não bastasse o massacre aos elfos, todos os Gawls foram exterminados na primeira chegada dos dragões. O motivo? Era simples. Eles deram sua vida para proteger os primeiros filhos. Usaram seu conhecimento superior em magias e poderes celestiais para combater os dragões mas nem mesmo isso fora suficiente. As criaturas os exterminaram e se acomodaram na Terra enquanto aguardavam pela chegada dos seus demais companheiros. Uma horda imensa de outros dragões e criaturas do vazio aproximava-se da galáxia da Terra enquanto estes primeiros conquistavam-lhe os planetas para bem receber os comparsas depois. O fim da vida na Mãe-Terra era eminente.

A mãe chorou, desesperada, pois não podia interferir na morte dos seus próprios filhos. A avó Lua implorou para que o Pai intercedesse, mas as regras eram claras e nada podia ser feito. Pelo menos até que chegasse a vez do avô Sol fazer o seu pedido. Diferente dos demais, o pedido do astro rei era carregado de culpa e arrependimento. Por conta de um erro em sua trajetória agora a mãe-Terra sofria pelas consequências. O avô assumiu a responsabilidade e tomou a frente em pedir que uma intercessão fosse realizada. O Pai acatou ao seu pedido e realizou a primeira das intercessões celestiais de grande impacto na história. Com as almas de 12 dos Gawls exterminados pelos dragões, novas criaturas foram criadas. Estas eram dotadas de uma luz tão forte quanto de milhares de estrelas. Suas formas físicas lembravam em muito as Elfas da Terra, como numa busca por expressar a beleza de sua força maternal. Elas estavam ali para atender ao pedido da Mãe. Elas estavam ali para proteger os primeiros filhos.

As 12 criaturas celestiais desceram dos céus rompendo a escuridão da chuva e brandindo suas espadas como trovões. Os dragões que no momento resguardavam-se depois da primeira invasão, foram pegos de surpresa. Um a um eles foram emboscados até que os últimos se reunissem numa tentativa fracassada de eliminar aquele grupo de novos inimigos. As 12 prevaleceram no final, exterminando os dragões e livrando a Mãe-Terra da primeira invasão. Os Elfos que sobreviveram à guerra agradeceram às suas defensoras e apelidaram-na de "Mensageiras do Paraíso". As Mensageiras, no entanto, não permaneceram em terra. Ao chamado de seu criador, elas ascenderam em forma de luz até o cosmos, onde orbitaram ao redor da terra aguardando pela chegada dos demais dragões que estavam a caminho.

Uma das 12, no entanto, recusou o chamado. Esta, encantara-se com um dos guerreiros Elfos que conheceu ainda na guerra ao qual ela também salvou do ataque de um dos dragões. Os dois foram pegos de surpresa por sentimentos que desconheciam, emoções mundanas que lhes tomaram o controle e os levaram à uma paixão desenfreada. A família primordial não tinha certeza sobre se deveriam interferir ou não mediante aquilo, mas a resposta veio não demorou a vir. Desta vez trazida pela Avó Lua, foi dito que a união entre aquela criatura celestial e a uma criatura mundana geraria uma outra forma de vida, o que mais tarde ficaria conhecido como semideus. Entretanto, o custo dessa união traria grandes consequências para o grupo das mensageiras. As outras 11 tomaram conhecimento dessa informação também através das estrelas e tentaram interferir, mas era tarde. Elas se agruparam para levar sua companheira em missão de enfrentar os dragões, mas não imaginavam que tal missão duraria tanto tempo. O tempo passava diferente em determinadas dimensões as quais as Mensageiras percorreram. Em muitas delas o tempo poderia ser cruel. E para com a mensageira apaixonada, ele foi.

Quando esta retornara à Mãe-Terra, pós término de sua missão, o seu amado não mais lhe esperava. O tempo lhe tirou aquilo de mais precioso, e agora ela não podia fazer nada para recuperá-lo. A terra, por sua vez, tinha mudado muito durante esse tempo. Outras raças nasceram, tanto da mãe Terra quanto de influências externas até então pouco conhecidas pelos Elfos. O primeiro rei Elfo já não era mais vivo e, em seu lugar, quem assumira o trono foi sua primogênita Yllith. E pasmem, sob direção da nova rainha, os Elfos tornaram-se uma raça xenofóbica e egoísta. Eles prezavam agora apenas pela sobrevivência da sua própria espécie e condenavam qualquer tipo de relação para com "outros". Aquilo foi uma afronta mediante a história que a Mensageira apaixonada vivenciou com um elfo de primeira linhagem. Ali, ela se viu despedaçada. A última gota de esperança se foi e nem mesmo os Deuses lhe respondiam as preces, afinal, não havia o que responder. O aviso foi dado.

Tomada pelas emoções mundanas, a mensageira apaixonada descobriu o outro lado da moeda do amor; o ódio. Ela decidiu abdicar dos seus deveres celestiais e realizou um dos atos de traição mais graves que poderiam ser cometidos. Assassinou a rainha Yllith. Interferiu diretamente no curso da história. Aquilo não passou despercebido aos olhos do Pai, nem mesmo dos demais membros da familia primordial. O Pai, de imediato, precisou puni-la, tirando-lhe o direito de poderes celestiais e tornando-a uma mundana. Como castigo da familia primordial, a mensageira foi condenada a viver no lugar de Yllith como uma elfa. Os seus poderes como mensageira do paraíso acabaram corrompidos e no fim das contas ela se tornou aquilo que tinha por objetivo destruir.

A mensageira, agora como Yllith, tornou-se amargurada e ressentida com o castigo dos Deuses. Assumiu o posto de rainha dos Elfos e decidiu que se vingaria do que lhe foi feito descontando toda sua fúria nos mundanos. Daquele dia em diante, a rainha passou a conduzir sua raça em prol de exterminar todos aqueles que se opuserem contra ela.



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Re: Yllith, a pecadora do paraíso

Mensagem por Hummingbird em Sab Out 14, 2017 6:45 pm



Erefern



Os anos passaram rapidamente desde a primeira grande guerra. Liderada pelos dragões, aqueles foram tempos difíceis para os primeiros filhos que se viram diante de uma ameaça muito além do que eles eram capazes de enfrentar. E para piorar, como característica principal de sua essência, eles tinham o insubstituível desejo de proteger a mãe-Terra de qualquer que fosse a ameaça. No caso, a ameaça era forte demais, mas eles insistiram.

Erefern, o primeiro grande rei elfo, aprendeu muito com o "Povo Antigo", apelido dos Gawls durante os primeiros séculos. A despeito do conhecimento e também das leis do universo, o rei também aprendeu conhecimentos mágicos, desde o entendimento dos elementos da natureza à uma infinidade de outras energias que podiam ser aproveitadas no contato com o cosmos.

Tanto o rei quanto os primeiros filhos mais sábios acabaram aprendendo a usar tais habilidades mágicas em defesa do seu povo e de sua terra. Eles não eram tão habilidosos quanto os Gawls, e nem tinham muita prática, mas o pouco que sabiam influenciou e muito na sua sobrevivência. Muitos foram aqueles que morreram durante a grande invasão, mas muitos também sobreviveram para contar às futuras gerações o que vivenciaram naqueles tempos.

A magia dos Elfos não era antiga muito menos poderosa o suficiente para lidar com o dragões, mas durante as guerras ela revelou algo que nem mesmo os Gawls foram capazes de compreender durante sua estadia na mãe-Terra. As emoções e o trabalho em equipe dos Elfos pareciam fortalecer e muito as suas magias quando eram usadas em conjunto. A família primordial percebeu isso por outro ângulo, é claro, uma vez que estavam muito acima do que as emoções mundanas tinham a proporcionar.

No entanto, dentro daquela simplicidade, essas emoções faziam a diferença. Denotavam características que orgulhavam a mãe-Terra, pois ela podia ver em seus filhos tamanha a determinação e o esforço para defender aquilo que eles tinham de mais valioso. E mais, denotavam também a sua capacidade de agir em conjunto para o bem maior. Esses esforços eram recompensados na mesma proporção pela própria mãe-Terra que fortalecia as magias dos seus filhos com uma energia que somente eles podiam entrar em contato, já que de fato eram ligados pelo parentesco.

A magia dos elfos então ganhou particularidades próprias. Não era mais uma magia cósmica, promovida pelo seu entendimento do cosmo ou dos elementos. Era uma magia natural, vinda da sua mais profunda essência, do seu parentesco direto com aquele planeta que os originou, magia da própria mãe-Terra, magia da vida. E com esta magia os Elfos resistiram. Resistiram tempo suficiente para que houvesse o resgate promovido pelas Mensageiras do Paraíso, e posteriormente o extermínio dos dragões invasores.

A primeira grande invasão foi interrompida e com ela a mãe-Terra prosperou mais uma vez, dando origem a novos filhos para suprir as necessidades que as adversidades vinham trazendo. Daí vieram os Anões, nascidos das montanhas e das calamidades geográficas causadas pelos dragões. Os segundos filhos traziam consigo uma resiliência muito maior do que a de qualquer elfo. Eles tinham uma determinação quase que inabalável, muitas vezes confundida com a teimosia. Tinham força física acentuada e uma curiosidade pela engenhosidade das coisas que se assemelhava muito ao conhecimento mágico dos elfos. No entanto, no que se diz respeito a tais aptidões, os anões desde cedo mostravam que não eram capazes de utilizar muito da magia. Do contrário, eles criavam coisas palpáveis para superá-la; armas.

Os pequeninos desenvolveram-se rápido. Os elfos como ainda estavam se recuperando das incontáveis perdas de seus entes queridos, sequer perceberam o crescimento quase que desenfreado dos novos filhos, e quando o fizeram já era tarde. Haviam muitos deles e o acolhimento dessa nova espécie dentro do seu "território" tornou-se algo problemático. Afinal, ninguém foi avisado de nada. Erefern, o rei, decidiu tomar a frente do seu povo mais uma vez e estabelecer um primeiro contato "diplomático" para com a nova raça. Os pequeninos aglomeraram-se nas terras do norte, conhecidas por serem as mais maltratadas durante a grande guerra. Lá, as montanhas cresceram abruptamente, era quase como se a própria mãe-terra se esforçasse para criar montanhas que sobrepusessem as marcas de uma guerra sangrenta. Tamanha foi a quantidade de sangue derramada naqueles campos que no decorrer da história, as próprias montanhas ganharam uma coloração avermelhada como o sangue, ficando conhecidas como Montanhas Sangrentas, ou avermelhadas como preferir.

Além das montanhas sangrentas, as tribos dos Anões se reuniam. Foram fáceis de se encontrar e justamente por conta disso é que reagiram de maneira inesperada. Acuados pela suposta invasão, os anões pareciam ter um instinto próprio para defender o seu povo daquilo que os ameaça, iniciando uma batalha que durou cerca de alguns dias para com os Elfos. Erefern, no entanto, desde o primeiro momento insistiu para que seu povo segurasse as forças e apenas desgastassem os anões até o momento em que fosse possível uma aproximação. O que eles não esperavam é que os anões eram muito mais bem preparados em termos de combate do que os Elfos. A durabilidade e resiliência deles duraria anos se preciso, enquanto os primeiros filhos da terra já estavam ficando cansados nos primeiros dias.

Sem mais delongas, Erefern precisou intervir diretamente. Declarou que os anões tinham vencido e, numa aproximação amistosa, tudo que ele queria era falar com o líder daquela tribo. Entre eles não havia um líder. Para os anões daquela época, nenhum detinha "honra" suficiente. O posto de líder, para os pequeninos, deveria ser conquistado com algum feito que impressionasse de fato toda a tribo. Infelizmente, com a recente guerra terminada, não haviam mais inimigos a se enfrentarem na superfície da mãe-Terra então os anões seguiam se preparando para o grande momento da ascensão do seu primeiro líder. Erefern, percebendo as brechas na situação, intitulou-se como o rei entre os Elfos. Sendo assim, aquele que o enfrentasse e saísse vitorioso, seria considerado entre os pequeninos como o vencedor de uma grande batalha, talvez o suficiente para ser considerado rei em equivalência?

Os anões se empolgaram com o desafio. Um a um eles se propuseram a lutar contra Erefern, mas um a um eles foram derrotados. As unidades de pequeninos derrotados logo se transformaram em dezenas, e as dezenas em centenas. Ao término de 200 anões derrotados pelo rei elfo, os pequeninos já estavam ficando desanimados. Eles que tanto se consideravam teimosos e persistentes nunca enfrentaram um desafio em que a diferença de conhecimento e habilidades fosse tão grande. Em práticas de combate as espadas élficas de Erefern dançavam com uma velocidade que nenhum inimigo conseguia acompanhar. No entanto, dentre os pequeninos, um deles pareceu chamar atenção do rei desde o princípio. Era um anão excêntrico, sempre cheio de si, dono de uma perspicácia surpreendente afinal ele foi o único capaz de perceber que nas mãos do Rei Élfico não eram só habilidades de combate que o tornavam tão magnífico, mas havia magia envolvida ali.

O anão excêntrico compartilhou isso para com os pequeninos da tribo e eles se sentiram ludibriados. Revoltaram-se, alegando que o Rei os teria traído sabendo que naquele desafio nenhum anão poderia vencê-lo, uma vez que eles não tinham aptidões mágicas como as dos Elfos. Diante daquilo o rei se viu sem saída, seu feitiço virou-se contra ele e agora nada mais podia ser feito para reverter a situação. Nada, exceto, pela própria excentricidade daquele elfo. O próprio rei o desafiou, alegando que se o anão era tão confiante de suas habilidades de combate sem magia, que então o enfrentaria de igual pra igual. O anão aceitou o seu desafio com um largo sorriso sarcástico no rosto.

O confronto foi aceito por ambas as tribos e no fim o vitorioso foi o anão. Jaegar Queen era o seu nome.

Aceitando a derrota, o rei elfo reconheceu aquele anão como o mais forte entre os seus. Jaegar e seus companheiros todos gargalharam e aquilo terminou com um convite para que os elfos ficassem mais alguns dias na companhia dos anões. Erefern aceitou o convite e durante aqueles poucos dias todos festejaram. Os elfos, num primeiro momento, condenaram a atitude do seu líder pois não queriam aceitar o resultado daquele confronto. Para eles, alguma coisa havia acontecido, talvez algum tipo de trapaça? Erefern, por sua vez, parecia não se importar muito com o ocorrido uma vez que o objetivo de sua missão estava de fato se concretizando. Numa das reuniões com o seu povo, ainda na companhia dos anões, o rei enfim se pronunciou. Nas palavras mais brandas, revelou que sim, houve trapaça naquele combate. Tanto os elfos quanto os anões ficaram chocados com a revelação, salvo exceção Jaegar que soltou uma longa gargalhada seguido de um "Então você percebeu, hmm?".

— No entanto, o resultado disso é o que me traz aqui agora, por meio destas palavras. Nós lidamos com emoções que não estamos acostumados e que muitas vezes não conhecemos as suas extensões, e por isso muitas vezes somos levados por elas — uma pausa em seu tom de voz rouco e rasgado promoveu o silêncio entre as tribos, rendendo olhares curiosos — Mas como vocês podem ver, uma vez pelo bem maior, os resultados podem justificar uma derrota. — ao término de suas palavras os anões se entreolharam como que curiosos pela sabedoria do homem elfo. Os elfos finalmente baixaram a guarda e aos poucos se deixavam envolver pela sabedoria de seu líder, e foi quando finalmente Jaegar se levantou batendo o chifre que usava de caneco na mesa.

— O verdinho tem razão. Eu trapaceei na nossa luta e dei uma puta rasteira? Sim! Aliás cê caiu bonito heim? — debochou, dando uma cotovelada no ombro do rei elfo que retribuiu com um meio-sorriso — Mas independente do orgulho, aqui estamos. Tribos que nunca se conheceram, unidos, bebendo e festejando juntos. Tudo por conta de uma derrota, aceita por um rei, para unir dois povos. Então, vocês verdinhos de orelha-pontuda, é melhor deixarem o orgulho besta de lado e começarem a reconhecer o líder que tem, porque entre os meus a gente conquista isso na marra! — ao término de suas palavras os elfos o acompanharam num grito que certamente ficaria marcado na memória de todos os elfos ali presentes.

Erefern fitou os olhos de Jaegar como que agradecendo por suas palavras. Mas aqueles olhares cruzados significavam muito mais do que isso. Por traz da concordância, havia também o reconhecimento. Rivalidade entre os soberanos de suas tribos que reconheceram naquele momento as verdadeiras qualidades um do outro. Seria o início da primeira grande união entre tribos?



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